Desabamento no Rio de Janeiro
“Se não estivesse vendo, não acreditaria”, diz dono de livraria destruída no desabamento
O repórter José Roberto Burnier mostra os tipos de empresas que funcionavam nos edifícios. Ele chegou bem perto da área da destruição.
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O repórter José Roberto Burnier mostra os tipos de empresas que funcionavam nos edifícios. Ele chegou bem perto da área da destruição.
“É a primeira vez que chego tão perto. Não passa nada na minha cabeça, está passando um vazio. Se não estivesse vendo, eu não acreditaria. Da vida a gente leva só o que a gente vive”, diz Renan Magalhães, dono de uma livraria no prédio de dez andares que desabou.
A foto mostrada no vídeo é o registro mais claro dos três prédios que desabaram. Ela foi feita durante as obras de reforma do Theatro Municipal. A prefeitura informou que os edifícios estavam em situação regular e possuíam habite-se.
O prédio mais alto era o Edifício Liberdade. Tinha 18 andares de salas comerciais, além de loja e sobreloja. Muitas firmas do setor de serviços funcionavam ali. Uma das maiores empresas do prédio era a TO - Tecnologia Organizacional, que tinha salas no 3º, 4º, 6º, 9º, 10º e 14º andares.
Fernando Amaro trabalhava na empresa há seis meses. Na quarta-feira (25), saiu dali dez minutos antes do desabamento. “Era uma empresa de TI, então eram pessoas jovens, com caminho muito extenso pela frente que foi interrompido muito cedo pela tragédia”, diz Fernando.
O imóvel ao lado era um sobrado, que tinha quatro andares além de loja e sobreloja.
O terceiro edifício, o Colombo, tinha dez andares, mais loja e sobreloja. No térreo, havia uma agência do Banco Itaú. O prédio abrigava ainda consultórios, cursos e escritórios de advocacia.
Denise Côrtes, dona do Edifício Colombo, explica que o nome foi dado pelo avô em homenagem à tradicional confeitaria Colombo, fundada pela família. “Muita dor, porque era um prédio art decó dos anos 30, que tinha pastilhas de época. Era tudo muito cuidado”.
No Theatro Municipal há cheiro de queimado, por causa da proximidade da área dos prédios que desabaram.
"Nasci de novo, tenho que comemorar", diz sobrevivente
Operário estava dentro de elevador quando prédio desabou no Rio e conta como escapou da morte, de uma forma surpreendente.
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Uma obra no nono andar de um dos prédios é considerada a causa mais provável do desabamento no Centro do Rio de Janeiro. Um dos sobreviventes do desastre trabalhava nesta obra. A forma surpreendente como ele escapou da morte é mostrada na reportagem de Mônica Teixeira.
Do meio dos escombros surgiu uma história surpreendente de sobrevivência. Sem um único arranhão, difícil acreditar que Alexandro estava dentro de um dos prédios.“Eu estava no térreo e subi lá para o nono. Quando eu cheguei no nono de elevador, a porta se abriu e eu vi o prédio se desfalecendo. Aí eu voltei para o elevador de novo. Quando eu voltei o elevador despencou de porta aberta. Quando eu vi aquilo tudo caindo, eu falei: eu vou morrer”, lembra o sobrevivente.
O operário se salvou embora tenha feito o contrário do que se recomenda em casos de acidente como esse. Segundo especialistas em análise de risco, o elevador não deve ter despencado. A hipótese mais provável é que ele tenha caído junto com o prédio.
“A sorte é que eu estava com o aparelho de celular no bolso, velhinho, que eu liguei para o meu colega que estava do lado de fora do térreo. Liguei pra ele e foi assim que aconteceu tudo”, conta Alexandro.
Alexandro esperou duas horas até a chegada dos bombeiros. Viveu momentos difíceis. “Começou um curto, começou a pegar fogo. Eu molhei a camisa com água para colocar entre o nariz e a boca para respirar”, lembra.
O resgate de Alexandro foi um trabalho complicado para os bombeiros. Eles tiveram que se arriscar, entraram pelo vão do elevador. Tudo em volta ameaçava desabar. Foi preciso cortar ferragens, remover escombros, abrir espaço – esforço que durou quase duas horas.
Foi o tenente-coronel Sarmento, que faz resgates há 16 anos, quem localizou a vítima no meio dos escombros. Até mesmo um bombeiro experiente nunca tinha visto tanta sorte. “A quantidade de escombro que caiu sobre o carrinho do elevador não foi suficiente para que amassasse e causasse maiores danos. Por ser uma pessoa magra e baixa, o vão que nós conseguimos abrir foi suficiente para que retirássemos ele com vida, ileso, sem nenhum arranhão”, explica.
Alexandro diz que vai passar a celebrar dois aniversários. “O do dia de ontem e o dia 13 de fevereiro, que é meu aniversário. Nasci de novo, tenho que comemorar”, afirma.
Empresa nega que obra tenha abalado estrutura de prédio que caiu
Na quarta-feira, 25, três edifícios desabaram no Centro do Rio.
TO - Tecnologia Organizacional reformava 2 andares de um dos prédios.
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Sérgio Aves, sócio da empresa TO-Tecnologia Organizacional, responsável pela obra que estava
sendo feita no Edifício Liberdade, um dos três prédios que desabaram no Centro
sendo feita no Edifício Liberdade, um dos três prédios que desabaram no Centro
(Foto: MARCOS DE PAULA/AGÊNCIA ESTADO/AE)
Sérgio Alves, sócio da empresa TO - Tecnologia Organizacional, afirmou em entrevista coletiva realizada no fim da tarde desta sexta-feira (27) que as obras que estavam sendo realizadas no 3º e no 9º andares do edifício Liberdade, um dos três prédios que desabaram na última quarta-feira (25), no Centro do Rio, não provocaram a queda."Tenho certeza de que as obras não abalaram as estruturas. Era uma reforma interna, para adequação do espaço. Trocamos o piso, removemos as divisórias e as paredes do banheiro, que não eram estruturais, pois eram feitas de tijolo", destacou o empresário, reforçando que este tipo de obra não precisa de autorização da prefeitura.
Alves acrescentou que as plantas das obras de ambos os andares, por serem semelhantes às reformas anteriores, não foram feitas por um arquiteto. Segundo ele, uma gerente da TO teria feito um curso de AutoCad (software utilizado por arquitetos) e ela mesmo feito as plantas.
Laudo
Segundo ele, um engenheiro havia sido contratado para fazer o laudo na obra do 3º andar, mas o documento teria se perdido com o desabamento. O mesmo engenheiro faria ainda um outro laudo sobre a reforma do 9º andar, mas, por um problema de família, teria atrasado a visita.
"Dissemos ao síndico que atrasaríamos a obra por 15 dias, mas ele disse que poderíamos entregar o laudo depois", revelou Sérgio.
Sobre as janelas construídas de forma irregular na lateral do prédio, Sérgio Alves disse que apenas uma delas foi aberta pela empresa. "É uma irregularidade estética. Já que muitos no prédio faziam, também fizemos", afirmou o empresário, citando a sala do síndico como exemplo e reafirmando que a colocação das mesmas não altera a estrutura do prédio.
O empresário falou com os jornalistas na companhia do advogado Jorge Willians.
O advogado declarou que a obra no 9º andar, que havia começado oito dias antes do desabamento, não necessitariam de autorização do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea). "O Crea não autoriza nada, só fiscaliza. E o presidente do Crea terá uma resposta através da perícia", disse o advogado.
Na quinta (26), um representanre do Crea disse que considerava as obras ilegais por não ter registro delas (saiba mais).
CorposChega a 14 o número de corpos localizados por equipes dos bombeiros nos escombros do desabamento. "Finalmente, entramos na parte onde nós acreditávamos que houvesse o maior número de corpos", disse o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, nesta tarde.
Segundo a Polícia Civil, seis vítimas haviam sido identificadas até as 17h: Elenice Maria Consani Quedas, de 64 anos, Alessandra Alves Lima, de 29 anos, Celso Renato Braga Cabral, de 46 anos, Margarida Vieira de Carvalho, de 65, Nilson de Assunção Ferreira, de 50 anos, e Cornélio Ribeiro Lopes, de 73.
O acidente deixou seis feridos. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, o quadro mais grave é o da única pessoa que segue internada. Ela é uma mulher que teve lesão no couro cabeludo, passou por cirurgia e foi transferida para um hospital particular.
saiba mais
Buscas continuamNão foi divulgada uma lista oficial ou até mesmo o número exato de pessoas procuradas. O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, disse que representantes de 26 famílias procuraram notícias de desaparecidos. "Pode haver gente sendo procurada que não esteja aqui nos escombros", afirma.
O subcomandante geral do Corpo de Bombeiros, Ronaldo de Alcântara, chegou a afirmar na manhã desta sexta que as equipes trabalham com a possibilidade de haver 23 desaparecidos. Ele disse acreditar que os procurados possam estar concentrados em pontos próximos nos escombros.
Na madrugada desta sexta, o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou que as buscas vão continuar por mais 48 horas. "Esse é um prazo que eu estou me impondo para encerrar as buscas", disse o coronel. Segundo ele, após esse prazo, o trabalho de retirada dos escombros será de competência da prefeitura.
Para Simões, o modo como o desabamento parece ter ocorrido dificulta ainda mais as buscas. "O volume de material é muito grande. A essa altura já era para nós termos encontrado mais corpos, mas a sobreposição das lajes efetivamente é um dificultador", avaliou.Na madrugada desta sexta, o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou que as buscas vão continuar por mais 48 horas. "Esse é um prazo que eu estou me impondo para encerrar as buscas", disse o coronel. Segundo ele, após esse prazo, o trabalho de retirada dos escombros será de competência da prefeitura.
Polícia abre inquérito
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades do desabamento. Na quinta-feira (26), o titular da 5ª DP (Mem de Sá), delegado Alcides Alves Pereira, ouviu sete testemunhas e dois policiais que prestaram socorro às vítimas logo após o colapso das estruturas.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades do desabamento. Na quinta-feira (26), o titular da 5ª DP (Mem de Sá), delegado Alcides Alves Pereira, ouviu sete testemunhas e dois policiais que prestaram socorro às vítimas logo após o colapso das estruturas.
O desabamento ocorreu por volta das 20h30 de quarta. Um prédio de 20 andares, outro de 10 e um imóvel de cinco pavimentos ficaram em ruínas. O trânsito nas ruas situadas nas imediações do Theatro Municipal permanece interditado.
No momento da tragédia, testemunhas disseram ter ouvido a estrutura do edifício estalar antes de ir ao chão. Sobreviventes relataram momentos de desespero. Um vídeo de câmera de segurança mostrou correria na avenida antes de a poeira do desabamento tomar a região.
Para o prefeito Eduardo Paes, a principal hipótese é que o desabamento tenha sido causado por um dano estrutural, já que não há informações sobre explosão ou vazamento de gás. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) informou que obras "ilegais", sem registro no conselho ou na prefeitura, eram realizadas no prédio de 20 andares.
Reforma questionadaPara o prefeito Eduardo Paes, a principal hipótese é que o desabamento tenha sido causado por um dano estrutural, já que não há informações sobre explosão ou vazamento de gás. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) informou que obras "ilegais", sem registro no conselho ou na prefeitura, eram realizadas no prédio de 20 andares.
O advogado Gerlado Beire Simões, que representa o síndico do edifício Liberdade, Paulo Renha, o maior dos três prédios que desabaram, afirmou que seu cliente recentemente havia pedido documentos sobre as reformas em dois andares. Conforme o advogado, duas reformas eram realizadas no prédio, uma no 3º e uma no 9º andar, pela maior empresa do prédio, a TO - Tecnologia Organizacional.
O engenheiro Paulo Sérgio Brasil, que acompanhou uma obra da TO no 3º andar do prédio, negou alterações estruturais na reforma. “Não tinha viga. Já vi muita gente falar, mas não conhecem a estrutura do prédio. Todos os pilares são externos. No meio, não tem pilar, não tem viga”, argumenta.
Luto de três dias
O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial de três dias no estado do Rio de Janeiro em memória dos mortos. De acordo com o governo do estado, o decreto será publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o município fará o mesmo.
O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial de três dias no estado do Rio de Janeiro em memória dos mortos. De acordo com o governo do estado, o decreto será publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o município fará o mesmo.
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